E daí você vai viajar atrás de uma banda. E daí, obviamente, você tenta descobrir algumas bandas locais. E daí você acaba descobrindo algumas bandas boas. E daí você vai ouvindo, gostando cada vez mais delas. E daí, quando você menos espera, acaba descobrindo outras bandas. Ainda melhores. E daí, você fica ouvindo, ouvindo, ouvindo. E daí você não consegue baixar nenhuma música deles. E daí você não consegue achar o cd deles em lugar NENHUM. Pequenas grandes bandas de pequenos países pequenos dão trabalho. E daí, você, não sabendo mais o que fazer, resolve escrever qualquer besteira no intuito de que alguém te salve. Salva?

 

http://www.myspace.com/fmuckers

 

http://www.myspace.com/usuales

 Jogo de Texto

 

“É relativamente fácil apontar no cinema de Eduardo Coutinho uma tendência ao emolduramento da fala. Habitualmente, seus filmes são centrados em dois mecanismos, a saber, uma regra geral e uma redução desta regra à dimensão de armadilha: de uma mecânica de dimensionamento geográfico, a operação do filme sempre se dobra para dar lugar a um objetivo primordial de captura de discursos singulares.”

Sempre que assisto a um filme que considero incrível, genial e mais qualquer outro adjetivo que seja grandioso o suficiente para descrevê-lo (sendo que essa situação ocorre raramente), procuro ler diversas críticas de diferentes veículos que me auxiliem a construir um texto que represente exatamente o que senti ao assistir a obra. Por ter poucos anos de vida cinéfila (útil) considero que não tenho conhecimento suficiente para escrever um texto desenvolvido e aprofundado, com milhões de referências, apontamentos técnicos etc., além de temer escrever alguma besteira que acabe afastando e não levando os leitores à obra.

Mas o que um leitor comum – como você e eu – quer ler em um texto? Será que realmente é sobre “...dois mecanismos, a saber, uma regra geral e uma redução desta regra à dimensão de armadilha”  - como diz o texto do primeiro parágrafo - retirado de uma crítica da Revista Contracampo – ou simplesmente quer que o autor exponha de fato suas emoções e impressões. Entendo que uma crítica cinematográfica seja diferente de uma opinião de um leigo em cinema, mas expert em qualquer outro campo...nem que seja apenas...a emoção. Não que eu seja “isso”. Pausa. Lógico, não é cinema!!

É que a primeira coisa que me vem à cabeça é que o cinema de Coutinho não é cinema. É a vida. Do jeito que ela realmente é. Do jeito que nenhum cinema-verdade, neo-realismo ou qualquer outra designação cinematográfica que mais tente se aproximar ao real seja. A câmera é o olho daquele que filma e, consequentemente, todo e qualquer filme é tendencioso de alguma maneira. Coutinho não. Em “Santo Forte” ele não quer saber se aquelas pessoas realmente tiveram contato com entidades superiores ou não. Aliás, no final do filme não temos a menor idéia se o próprio diretor acreditou naquela história. Pouco importa. O que importam é o olhar da pessoa. É vida, não cinema.

Não consigo comparar Coutinho se não a ele mesmo. Coutinho não faz filmes, faz pequenas cenas da vida. Pausa. “Cenas da Vida”. Curiosamente esse era o título traduzido de Short Cuts, de Robert Altman. Mas não. Altman brincou com as cenas da vida. Coutinho as poetizou sem qualquer recurso cinematográfico.

A decepção que tive com as diversas – e grosseiras – interrupções de João Moreira Salles em “Santiago” me fez pensar se Coutinho (ainda mais por ser extremamente rabugento) também fazia isso com seus “personagens”. Pausa. O diretor chama seus entrevistados de personagens. Personagens. Será que essa palavra realmente se refere apenas àqueles que interpretam? Pausa. Quem interpreta? Pausa. Quem não interpreta? Em certo ponto do filme, a atriz Fernanda Torres diz que é “Muito mais difícil interpretar alguém real”. Essa frase é incrível! O que fazemos, durante nossa vida inteira, senão sermos nada além de intérpretes de nós mesmos? Não será por isso que o diretor chama seus entrevistados de personagens?

Na obra de Coutinho não importa se as histórias são mentirosas ou verdadeiras. O que é magnificamente demonstrado, através da maior e mais profunda simplicidade em “Edifício Master”, agora vira uma brincadeira, um jogo. De cena.

“Jogo de Cena” é, para mim, um dos melhores filmes de todos os tempos. Mentira. Esqueci. Coutinho não faz filmes. Está acima do cinema. Está acima de toda e qualquer crítica cinematográfica (mesmo que elas sejam – e vêm sendo – elogiosas).

Engraçado. Estou olhando pro computador há sei lá quanto tempo, pensando em como terminar esse texto. Pensando que talvez não consegui explicar o quanto “Jogo de Cena” é........inexplicável. Sem referências. Real. Ou não. Assim como eu. Assim como você.

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