Há algum tempo, fui convidado para escrever no site A Arca. Bacana e tal. Comecei a escrever meus textos, mas via que não entrava nada. Bom, sem mais delongas, o site (infelizmente) acabou sendo fechado antes da entrada de qualquer texto meu.

Para não jogar fora as baboseiras que escrevi, segue abaixo a crítica do Sky Bluuuuuuuuuuue Sky, novo CD do Wilco. Conforme perceberão abaixo, sim, é uma resenha totalmente formal e nada emocional. Infelizmente. Mas, de qualquer maneira, aqui está:

O dia em que o sol brilhou

 

        Singelo. Segundo o dicionário Aurélio, significa algo simples, sem ornamentos. E é exatamente isso que o Wilco, centralizado na figura de Jeff Tweedy, fez em seu novo cd, Sky Blue Sky, que será lançado no dia 16 de maio, mas que há tempos nos sensibiliza na internet.

        Se em A Ghost Is Born, último cd de estúdio da banda, lançado em 2004, o grupo ainda apostava em sonoridades relativamente esquisitas e belas canções que acabavam com sons praticamente inaudíveis, Sky Blue Sky é o porto-seguro. A primeira frase do CD, na canção Either Way, nos mostra isso claramente: “Talvez o sol vá brilhar hoje/as nuvens vão embora/talvez eu não tenha tanto medo)”.

        A sonoridade de Sky Blue Sky nos remete, não apenas às referências óbvias como John Lennon, Neil Young, mas também a grandes artistas de soul da Motown, evidenciada, principalmente nas músicas Shake It Off e Hate It Here. O som, mais folk, como em What Light, também nos faz lembrar dos não tão antigos Jayhawks.

        Ao contrário do que parece não se pode dizer que este novo cd seja uma quebra no processo criativo do Wilco, ou ainda que a banda esteja dando um passo atrás em sua carreira. O álbum, delicadamente, nos presenteia com temas sutis e simples, pois, na vida, não há apenas o Som e a Fúria.

        Para os fãs mais antigos, que sentiam falta de uma bela música com Jesus Etc., surgem duas das canções mais bonitas de toda a  história da banda: Sky Blue Sky e Please Be Patient With Me. São canções delicadas, levadas quase que unicamente por Tweedy e seu violão, mas que não precisam de simplesmente mais nada. A boa música não pede (necessariamente) por experimentalismos e inovações. Tweedy nos mostra uma simplicidade única, uma pureza sublime.

Apesar disso, como nada no Wilco pode ser totalmente linear, na mesma levada de Hummingbird, do álbum anterior, aparece a animada Walken que, aliás, foi tocada no maravilhoso show da banda durante o TIM Festival de 2005.

        Longe do mainstream (principalmente na mídia brasileira) o Wilco nos prova ser, se não uma das melhores, uma das mais consistentes bandas americanas. Wilco não é alt-country, não é rock alternativo, não é folk. É “apenas” aquela banda que você pode ter certeza que, de alguma maneira, tentará partir nossos corações.

 

Sky Blue Sky / Artista: Wilco / Gênero: rock / Gravadora: Nonesuch/ Lançamento: maio de 2006 / Preço: R$ 24,00 (Amazon.com – sem taxas de importação)

 

EU SOU EMO? 5 evidências....

1 - Gostei bastante da música nova do My Chemical Romance, Teenagers. Sério. Muito. Boa mesmo. De verdade.

2 - Se o Noel Gallagher pintasse o olho, ele também seria emo??

3 - Wilco é emo, né? (Jesus não chore/Pode Contar comigo amor/Pode Pedir o que quiser/Que eu estarei aqui/você estava certa sobre as estrelas/cada uma é um sol se pondo)

4 - Se emo significa chorar, se emocionar facilmente etc. eles devem estar adorando (que nem eu) o CD novo do Elliot Smith, certo?

5 - Quando emo era sinônimo de emocore e não de franjas no olhos maquiados, gostar de Fresno era aceitável. Eu continuo gostando. Ou seja: Cadê minha franja???

PS: Deixando meu rímel (é isso mesmo????) de lado, 2 fatos:

1 - Nem Simon Reynolds, nem Nick Tosches, nem Lester Bangs nem ninguém. Sai linearidade, sai.

2 - Cão Sem Dono tem tudo para ser o melhor filme brasileiro do ano. Excepcional! 

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