C'est fini

Seguinte, camaradas: foi-se. Acabou. Chega. Cansei desse drog.

Mas não cansei de escerever, então apenas me mudei.

Agora, quando você quiser perder seu tempo, entre em www.ocaradavez.blogspot.com

As razões da mudança estão bem explicadas no primeiro post desse novo blog, assim como o objetivo dele.

Então, é isso. Sem tchaus, pois é só um "até ali do lado".

 

Vai começar o É Tudo Verdade 2008. E daí??

Um dia o É Tudo Verdade foi um festival muito legal. Com certeza o melhor festival de documentário do Brasil. Não vou dizer que o aguardava ansiosamente como aguardo a Mostra, mas, por meu grande interesse por documentário, tentava assistir a maioria dos filmes exibidos - mesmo porque, muitos deles só passavam durante aquelas duas semanas.

Mas aí, logo depois da excelente 10ª edição do evento, algo de podre aconteceu. Amir Labaki resolveu deixar de lado o "melhor" para incorporar o megalomaníaco adjetivo de "maior" ao È Tudo Verdade. E então, optaram por exibir um número bizarro de filmes. À primera vista isso pode ser bom, mas, como não são muitos espaços que exibem os filmes, muitos deles foram exibidos apenas uma vez em algum horário à tarde no meio da semana. Esse ano não foi diferente. Amir Labaki - que além do festival, exibe uma faixa de documentários no Canal Brasil e tem uma coluna no jornal Valor Econômico - optou por exibir o esperado (pelo menos por mim) filme "Anna, sete anos no front" em uma quinta-feira às 17h00. Lindo! Ou então, o recomendado "Puerta 12", no mesmo horário exdrúxulo, mas em uma quarta-feira. E assim por diante. Serão poucos filmes exibidos mais de uma vez. Porque? porque SIMPLESMENTE NÃO TEM ESPAÇO NEM TEMPO PARA TANTOS FILMES!!

Talvez seja uma reclamação um pouco mimada, visto que muitos estudantes e aposentados podem assistir um punhado de filmes, mas creio que a maioria dos frequentadores têm o mesmo problema que eu. No ano passado - primeira vez que isso aconteceu - acabei "boicotando" o festival por causa disso. Não, não fiz nenhum movimento nem quis chamar a atenção das "autoridades", só fiquei realmente decepcionado de não poder assistir a importantes filmes.

Em relação à programação de 2008, melhor eu nem recomendar nada, pois se você tiver entre 20 e 60 anos, provavelmente não conseguirá assistir. Quem sabe no ano que vem, se o Cidadão labaki deixar.

Atrasado, mas vamos à Mostra!

Como todo ano, farei aqui um pequeno resumo da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o maior evento do gênero no país. Como é de praxe, a lista está dividida nas seguintes categorias: "filmes assistidos", "melhores filmes", "piores filmes", "filmes imperdíveis que eu perdi" e a nova categoria..."filmes em que eu dormi um pouco demais do que eu deveria ter dormido". Essa última categoria se deve a um fato extremamente comum aos aficcionados pela Mostra: aquela dormidinha básica de uns 3,4 minutos durante um filme ou outro. Isso acontece. O problema é quando, em um ótimo filme, essa dormida acaba se tornando um pouco maior....

Então vamos lá:

FILMES ASSISTIDOS:

- Os cachorros desconhecidos - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_41.shtml

– Valsa para Bruno Stein - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_81.shtml

– Os corpos mortos dos vivos - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_109.shtml

– Kike Como Eu - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_187.shtml

– Eduart - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_71.shtml

– Sob A Mesma Lua - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_136.shtml

– A Arte das Lágirmas - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_240.shtml

– O Que Sei de Lola - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_74.shtml

– Ainda Orangotangos - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_54.shtml

La Creme - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_151.shtml

– Abrigo - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_227.shtml

– A Ilha - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_149.shtml

– A Era da Inocência - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_131.shtml

– Tressete - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_32.shtml

– O Cavaleiro Negro - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_358.shtml

– Sombras - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_347.shtml

– Cochochi - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_171.shtml

– El Otro - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_58.shtml

– Brand Upon The Brain - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_382.shtml

- Estação Seca - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_57.shtml

– Le Voyage du Ballon Rouge - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_169.shtml

– A Valsa - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_380.shtml

– Vocês, os vivos - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_307.shtml

Paranoid Park - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_7.shtml

– Screamers - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_188.shtml

– Invisíveis - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_370.shtml

– Férias Roubadas - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_18.shtml

– Dos Abrazos - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_55.shtml

– Estamos Juntos - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_161.shtml

– O Lado Grotesco da Vida - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_156.shtml

Lumo - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_152.shtml

– Réquiem - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_26.shtml

– Tilai - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_285.shtml

– A Retirada - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_271.shtml

– Truques - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_37.shtml

– Garçom - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_303.shtml

– Os Otimistas - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_229.shtml

- Transformaram nosso deserto em fogo - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_170.shtml

- Import Export - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_128.shtml

Continua abaixo...

8 MELHORES FILMES:

1– Le Voyage du Ballon Rouge - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_169.shtml

2– Férias Roubadas - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_18.shtml

3– A Retirada - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_271.shtml

4– Os Otimistas - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_229.shtml

5– Vocês, os vivos - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_307.shtml

6– O Cavaleiro Negro - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_358.shtml

7– Ainda Orangotangos - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_54.shtml

8– A Arte das Lágirmas - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_240.shtml

 

3 piores filmes:

 

1 - Sombras - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_347.shtml

2- O Lado Grotesco da Vida - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_156.shtml

3- Garçom - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_303.shtml

 

5 Filmes Imperdíveis que eu perdi:

 

1 - Postales de Leningrado - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_66.shtml

2- En La Ciudad de Sylvia - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_327.shtml

3- As Crianças Perdidas do Buda - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_44.shtml

4- O Resto é Silêncio - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_144.shtml

5- Nascido e Criado - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_163.shtml

 

2 filmes em que eu dormi um pouco mais do que eu deveria ter dormido

  

1 - A Ilha - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_149.shtml

2- El Otro - http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_58.shtml

E é isso!! Lógico que muitos filmes que eu não consegui assistir na Mostra (ou deixei de assistir por algum motivo) já fora vistos. "XXY", "Nem Pensar", "PQD", "Londres Proibida", "Morte ao Presidente" e vários outros. Mas, essa relação acima vale apenas para os filmes asisstidos nos melhores 21 dias do ano!

E é isso!! Ahhhh...e você?

Seguinte, acabou o período de vacas magras. Sério, juro!! Pode voltar a entrar normalmente no blog! E vamo-que-vamo com....Shackleton?!?!?!

Sim, volto com tudo não para falar de música, filmes ou livros. Quer dizer, na verdade tem um documentário sobre ele....hum...e tem um livro também. Mas isso não vem ao caso. Por um simples motivo: Shackleton é o cara.

No começo do século passado, com todos os continentes devidamente já explorados, os olhares das grandes nações européias se voltou para a gelada Antártica. Nessa época, grandes exploradores como Roald Amundsen e o amigo-rival de Shackleton, Falcon Scott, eram muito famosos em seus países. Após explorações por lugares inóspitos, esses desbravadores voltavam aclamados como heróis por seu povo.

É nesse ambiente competitivo e cheio de glórias que o ambicioso Shackleton parte, em 1914, rumo ao Polo Sul. Após duas tentativas frustradas - uma delas acompanhada por Scott - Shackleton, à bordo do Endurance e acompanhado por mais 27 homens, parte novamente ao continente branco e inexplorado, com o objetivo de atravessá-lo inteiramente....a pé!!!

Eis que, logo na chegada, a embarcação acaba ficando presa nos grandes blocos de gelos. Apesar do receio, a tripulação contava com que a situação fosse se normalizar em pouco tempo porque estavam em "pleno" verão e os blocos tendiam a derreter. Porém isso não aconteceu. Passaram-se dias, Meses. Então o navio afundou de vez.

Com apenas um barco salva-vidas, Shackleton e mais dois tripulantes enfrentaram um dos mares mais nervosos do mundo com o objetivo de chegar na Geórgia do Sul, onde possivelmente encontrariam ajuda dos caçadores de baleias locais. Os tripulantes que ficaram no continente viveram os piores dias de suas vidas. Isolados, com alimentação a base de carne de focas e pinguis (cruas) e com quase nada para beber. Só não estavam pior que o trio - que ao fim dos terríveis 14 dias de viagem, enfrentaram as geladas cordilheiras e montanhas da Geórgia do Sul até encontrar os baleeiros.

Como havia promeitdo a sua tripulação, Shackleton voltou à Antartica com a ajuda dos locais (ainda enfrentando mais algumas nevascas impressinantes - e depois de mais alguns dias preso no gelo) e encontrou todos ainda vivos. Debilitados mas vivos.

Ao regressar, em 1917, Shackleton voltou aclamado como herói da nação.

Graças ao fotógrafo da expedição, Frank Hurley, vários desses momentos históricos estão registrados até hoje. E abaixo segue umas dessas fotos:

O texto pode ter ficado meio baba-ovo, mas a história é realmente impressionante!! Se você se interessou, dê uma olhadinha nesse livro!! http://www.americanas.com.br/AcomProd/1472/158515

E até mais....mesmo!!

Sim! Sim! Sim! Temos Coachella 2008!!

Exato! A programação do maior festival do mundo (desse lado) foi anunciada:

Verdade....não temos os não anunciados, mas esperados, Radiohead e David Bowie. Nem o muuuuuito esperado (pelo menos por mim) Zutons. Além disso, as duas principais atrações, Jack Johnson e Roger Waters não me dizem muita coisa....mas.....mas....mas....

Temos Portishead!!!!!!!!!!!!!!! Fantástisco!!! Muito, muito bom!! Temos Verve, banda clááásica dos anos 90, a melhor daquelas "papai eu quero ser Oasis quando eu crescer). Temos I´m From Barcelona, mega banda sueca que foi dona de um dos melhores lançamentos do ano passado. Temos Café Tacuba. E, se você não entende porque eu estou tão animado com o Café Tacuba, por favor escute isso http://www.mediafire.com/?1x3wjjlhtmz. O novo e primoroso CD da banda, entitulado SINO. Fora isso também temos Cold War Kids, Death Cab For Cutie, Raconteurs (por que não Brendan Benson solo???), Stephen Malkmus (por que não a volta do Pavement??), My Morning Jacket etc. etc.etc.

Resumindo: Acho que vai dar pra se divertir um pouqinho.

PS: Faltam 93 dias.

 

 

 

Ok, verdade. Eu estou postando após o Natal, mas tá valendo...

Como disse, chegou a hora de conhecermos o YETI. Não o abominável homem das neves, mas uma excelente banda formada por John Hassal. Hassal é muito mais que um "queeeem??". O cara é o ex-baixista do Libertines, banda padrinha dos milhares de novos grupos britânicos como Fratellis, Wombats, Arctic Monkeys etc etc etc. Apesar de o cara ser "apenas" o baixista do Libertines e, muito menos talentoso/junkie que Carl Borat e junkie/junkie que Pete Dorehty, o Yeti é muuuuito melhor que Babyshambles e Dirty Preety Things.

E isso se deve a um simples fato: O Yeti não soa como uma banda cover ruim do Libertines. É um típico rock dos anos 60, que pede por palminhas, uuuu, lalala, assovios etc. Portanto, tá dada minha dica de final de ano!

 

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Eu sei! Eu sei! Eu sei!!

Tá! Eu sei que eu ando meio ausente, mas isso se deve a dois grandes motivos:

1-) Pô! Eu sei que diminuí o número de textos postados, mas também diminuíram os comentários. E como eu não consigo ver se o número de visitantes do blog parou (porque sempre esqueço do número anterior), acabo ficando meio carente. Sentimento de abandono, saca?!

2-) House.

Um dia eu prometi pra mim mesmo que nunca gostaria de um seriado. Não por preconceito, por conceito mesmo. Já havia tentado assistir Friends, Arquivo X, CSI, LOST, Seinfield, Heroes e sei lá mais quais e todos eram bem chatos. Chatos e com comerciais gigantescos. Malditas propagandas.

Apesar de todo esta minha relutância, dei chance para mais um deles - House. E é fantástico!!!! Como comecei a assistir há mais ou menos umas três semanas, realmente não sei a fama deste seriado. Para quem não conhece, House se passa em um hospital americano e seu personagem principal - que dá nome à série - é um excelente médico, mas principalmente um canalha. (Canalha - palavra curiosa.). Não, acho que ele é um canalha, mas principalmente um excelente médico. É. Fica melhor assim. Enquanto realiza seus mirabolantes diagnósticos, House faz o que quer com seus pacientes. Não tem problema em xingá-los, provocá-los ou até mesmo de quebrar qualquer regra médica para conseguir seus objetivos.

Mas House não é legal só por isso. O seriado também é cheio de referências bacanas e tiradinhas bem sacadas. Por exemplo: No meio de uma cirurgia, o paciente começa a ter umataque do coração e House é chamado. Ele chega cantando, pega seus instrumentos e diz que tem que fazer tudo muito rápido pois estava assistindo O Dorminhoco e não podia perder a hora do Orgasmatron.

Sim, evidente que escrever uma tiradinha bacana faz com que ela perca todo grau de "bacanidade", mas eu juro que é legal. House poderia muito bem ter sido escrito por Nick Hornby se ele fosse americano. Aliás, co-escrito, porque uma boa parte de cada episódio House e sua equipe pesam em todos tipos de doenças que o paciente pode ter. E dá-lhe nomes estranhos!!!

Bom, eu queria muito continuar escrevendo sobre House, mas é que......é que.....o DVD tá no pause.

E daí você vai viajar atrás de uma banda. E daí, obviamente, você tenta descobrir algumas bandas locais. E daí você acaba descobrindo algumas bandas boas. E daí você vai ouvindo, gostando cada vez mais delas. E daí, quando você menos espera, acaba descobrindo outras bandas. Ainda melhores. E daí, você fica ouvindo, ouvindo, ouvindo. E daí você não consegue baixar nenhuma música deles. E daí você não consegue achar o cd deles em lugar NENHUM. Pequenas grandes bandas de pequenos países pequenos dão trabalho. E daí, você, não sabendo mais o que fazer, resolve escrever qualquer besteira no intuito de que alguém te salve. Salva?

 

http://www.myspace.com/fmuckers

 

http://www.myspace.com/usuales

 Jogo de Texto

 

“É relativamente fácil apontar no cinema de Eduardo Coutinho uma tendência ao emolduramento da fala. Habitualmente, seus filmes são centrados em dois mecanismos, a saber, uma regra geral e uma redução desta regra à dimensão de armadilha: de uma mecânica de dimensionamento geográfico, a operação do filme sempre se dobra para dar lugar a um objetivo primordial de captura de discursos singulares.”

Sempre que assisto a um filme que considero incrível, genial e mais qualquer outro adjetivo que seja grandioso o suficiente para descrevê-lo (sendo que essa situação ocorre raramente), procuro ler diversas críticas de diferentes veículos que me auxiliem a construir um texto que represente exatamente o que senti ao assistir a obra. Por ter poucos anos de vida cinéfila (útil) considero que não tenho conhecimento suficiente para escrever um texto desenvolvido e aprofundado, com milhões de referências, apontamentos técnicos etc., além de temer escrever alguma besteira que acabe afastando e não levando os leitores à obra.

Mas o que um leitor comum – como você e eu – quer ler em um texto? Será que realmente é sobre “...dois mecanismos, a saber, uma regra geral e uma redução desta regra à dimensão de armadilha”  - como diz o texto do primeiro parágrafo - retirado de uma crítica da Revista Contracampo – ou simplesmente quer que o autor exponha de fato suas emoções e impressões. Entendo que uma crítica cinematográfica seja diferente de uma opinião de um leigo em cinema, mas expert em qualquer outro campo...nem que seja apenas...a emoção. Não que eu seja “isso”. Pausa. Lógico, não é cinema!!

É que a primeira coisa que me vem à cabeça é que o cinema de Coutinho não é cinema. É a vida. Do jeito que ela realmente é. Do jeito que nenhum cinema-verdade, neo-realismo ou qualquer outra designação cinematográfica que mais tente se aproximar ao real seja. A câmera é o olho daquele que filma e, consequentemente, todo e qualquer filme é tendencioso de alguma maneira. Coutinho não. Em “Santo Forte” ele não quer saber se aquelas pessoas realmente tiveram contato com entidades superiores ou não. Aliás, no final do filme não temos a menor idéia se o próprio diretor acreditou naquela história. Pouco importa. O que importam é o olhar da pessoa. É vida, não cinema.

Não consigo comparar Coutinho se não a ele mesmo. Coutinho não faz filmes, faz pequenas cenas da vida. Pausa. “Cenas da Vida”. Curiosamente esse era o título traduzido de Short Cuts, de Robert Altman. Mas não. Altman brincou com as cenas da vida. Coutinho as poetizou sem qualquer recurso cinematográfico.

A decepção que tive com as diversas – e grosseiras – interrupções de João Moreira Salles em “Santiago” me fez pensar se Coutinho (ainda mais por ser extremamente rabugento) também fazia isso com seus “personagens”. Pausa. O diretor chama seus entrevistados de personagens. Personagens. Será que essa palavra realmente se refere apenas àqueles que interpretam? Pausa. Quem interpreta? Pausa. Quem não interpreta? Em certo ponto do filme, a atriz Fernanda Torres diz que é “Muito mais difícil interpretar alguém real”. Essa frase é incrível! O que fazemos, durante nossa vida inteira, senão sermos nada além de intérpretes de nós mesmos? Não será por isso que o diretor chama seus entrevistados de personagens?

Na obra de Coutinho não importa se as histórias são mentirosas ou verdadeiras. O que é magnificamente demonstrado, através da maior e mais profunda simplicidade em “Edifício Master”, agora vira uma brincadeira, um jogo. De cena.

“Jogo de Cena” é, para mim, um dos melhores filmes de todos os tempos. Mentira. Esqueci. Coutinho não faz filmes. Está acima do cinema. Está acima de toda e qualquer crítica cinematográfica (mesmo que elas sejam – e vêm sendo – elogiosas).

Engraçado. Estou olhando pro computador há sei lá quanto tempo, pensando em como terminar esse texto. Pensando que talvez não consegui explicar o quanto “Jogo de Cena” é........inexplicável. Sem referências. Real. Ou não. Assim como eu. Assim como você.

Teen Festival. Eu fui. É....eu fui.

PS: Até o final dessa semana teremos o balanço total da Mostra!

 

Então vamos lá...

Foi-se o primeiro fim de semana da Mostra. Como já era de se esperar, a maratona foi intensa. O ponto negativo de se escolher os filmes menos comentados pela e/ou que não vão estreiar em breve (e provavelmente nunca) é que as chances dele ser ruim é grande. Afinal, se ele não foi comentado nem indicado, muito bom ele não deve ser, certo? Não. Não porque os filmes comentados pelos críticos são "apenas" aqueles que passaram nos principais festivais (Cannes, Berlin e Veneza). O resto dos festivais cinematográficos que acontecem ao redor do mundo possuem uma menor cobertura mas, nem por isso, deixam de exibir belíssimos filmes. Para comprovar isso, os filmes vencedores do voto do público nos dois últimos anos da Mostra foram obras que não haviam sido citadas por qualquer veículo - Adam´s Apple e Vermelho Como o Céu.

Portanto, na minha opinião, mais vale uma bela supresa do que algo bom, mas já esperado e que não deixará de ser visto, apenas adiado. Dito isso, segue abaixo um pequeno resumo do fim de semana:

Ao Cachorro Desconhecido - Alemanha - Uma fábula moderna interessante. Parece um pouco um Senhor dos Anéis, mas bem mais barato, sem elfos, anéis ou seres barburdos ou afeminados. Bom pra passar o tempo e talvez se arrepender de não ter ido naquele outro filme. **

Valsa Para Bruno Stein - Brasil - Roteiro fraco, atores fracos, contexto fraco. O que salvaria era o eterno Walmor Chagas. Salvaria. **

Os Corpos Mortos dos Vivos - Áustria - Bizarro. Muito bizarro. Se você pensa que não tem talento o suficiente para fazer um filme ou que, se fizesse, ele nunca entraria em uma mostra, essa obra com certeza fará você mudar de idéia. Para mim, estes são os filmes mais interessantes da Mostra, mas eu entendo (e muito) que pensa o contrário. ***

Kike Como Eu - Canadá - Documentário sobre o que é ser judeu hoje em dia, em diversos lugares do mundo. Se o diretor não fosse um imbecil que tenta imitar Michael Moore, poderia ter sido interessante. **

Eduart - Grécia - Os filmes mais decepcionantes são aqueles de lugares interessantes, com histórias interessantes, mas que acabam se enquadrando no padrão americano de fazer filmes para conseguir uma indicação no Oscar ou ganharem mais atenção da mídia. Pena. **

Sob A Mesma Lua - Itália - Filme diferente que trata da invasão (seguida de um extermínio) de ciganos na região de Nápoles. Interessante por abordar uma Itália bem diferente daquele charmoso país que costumamos ver em outros filmes. ***

A Arte das Lágrimas - Holanda - Eu sempre achei que o povo dos países que fazem parte da ex-URSS não batem bem da cabeça. Continuo achando, mas agora também acho que os holandeses são seres estranhos. Primeiro Adam´s Apple (que continua sendo o filme mais ???? que eu já vi) depois este A Arte das Lágrimas. Uma história que poderia ser um drama convencional, mas (ainda bem) consegue ser muito mais. ***

O Que Sei de Lola - Espanha / França - Essa bonita história me lembrou bastante Fale Com Ela, de Álmodovar, só que em movimento. Filme simples, bastante parado, com cãmeras estáticas e belíssimas atuações. Trsite e divertido. ****

Ainda Orangotangos - Brasil - Eu sabia! Eu sabia! Eu sabia! Por enquanto o melhor filme da Mostra. Um plano sequência de 80 e poucos minutos, passando por diferentes personagens de Porto Alegre. Só a Teoria do Papa Colorado já vale o ingresso. *****

La Creme - França - Um sujeito comum, desempregado, descobre que o creme que havia acabado de ganhar faz com que as pessoas passem a crer que ele é famoso. História boba, mas divertido. Bom pra passar o tempo. ***

Abrigo - Itália - Filme com a ótima atriz portuguesa Maria de Medeiros. Ela e sua namorada acabam, sem querer, trazendo um imigrante ilegal dentro de seu carro, depois de férias na Tunísia. A partir de então, a história dos 3 envolvidos muda bastante. Belo. ***

A Ilha - Rússia - Difícil. É complicado ver um fime denso, muito denso, no meio de tantos outros. Esse é o ponto ruim da maratona. São quase 2 horas passadas em uma ilha isolada onde não há nada mais que neve. Tenho uma certa impressão que o filme é ainda mais brilhante do que achei. ****

A Era da inocência - Canadá - Nova obra de Denys Arcand, diretor de As Invasões Bárbaras. O filme começa excelente e assim vai até sua metade onde nos é empurrado um romance Senhor Dos Anéis estranho, mas que não tira (totalmente) o brilho do filme. Me lembou bastante Beleza Americana. ***

Tressete - Croácia - FIlme passado em um pequeno vilarejo croata onde após a morte de um de seus parceiros, um grupo de jogadores de Tressete (jogo de cartas) começa a procurar um substituto. Ok, ok. **

E, por enquanto, é isso!!!

E você, viu o que???

 

 

 

Amor Pulsa Mais Rápido que Sangue

"Mihiro mata seu tio, que a estuprou ao se aproveitar de sua condição desesperadora. Abandonando a casa pela primeira vez na vida, ela conhece Hideki, que luta contra seu caos psicológico. Ele a encontra torturando-se por causa do trauma e então se sacrifica numa “performance de pintura com sangue” para assim compartilhar da mesma dor e sofrimento. Eles se isolam no ateliê e se ocupam fazendo sexo. Ao perceberem que o sangue determina a emoção e o desejo de ambos, finalmente cortam seus corpos e sugam um o sangue do outro. E acreditam que espiritualmente se tornarão um só depois de se conectarem tão profundamente."

Sim!! É exatamente isso que você está pensando! A Mostra vai começar!!!!!!

Como no ano passado, peço para que todo mundo deixe por aqui suas impressões sobre os filmes assistidos.

Aliás, dessa programação, até onde eu sei, já assisti três filmes: Control (Sobre o Ian Curtis), Luxury Car (Um filme chinês que também passou no festival do Rio) e Science of Sleep, do Gondry. Os dois primeiros são bacanas, mas levando em conta que o Control deve entrar em cartaz em pouco tempo, não recomendaria. Em relação ao filme do Gondry, o diagnóstico é óbvio: Faltou a cabeça de Kaufman. Pena.

Para os preguiçosos, montem sua programação aqui: www.mostra.org e boa Mostra!

Rock ´n´ Roll is Dead

Além de ser uma grande mentira, esta frase do título nomeia o último CD do Hellacopters. Aliás, não apenas último, mas, como acabei de ficar sabendo, O último definitivamente. O rock ´n´ Roll do Hellacopters morreu.

O grupo sueco (terra de Mando Diao, Hives e diversas bandas boas de ex-garotos entediados) lançou Supershitty to the Max, seu primeiro álbum em 1996. Desde essa época, a banda já mostrava a que veio: Riffs sujos de guitarras e o mais puro rock ´n´ roll de verdade que há muito havia desaparecido. A comparação mais suja e barata talvez seja o MC5. Aliás, uma das bandas filhas do Hellacopters é o Forgotten Boys, que tá sempre por aí...

O sucesso internacional só veio com o lançamento de High Visibility, de 2000, avalancado pelos hits Toys and Flavours e Hopeless Case Of A Kid In Denial, aliás, músicas realmente muito boas. Outro disco que vale a pena destacar são na verdade dois: Cream Of The Crap! vol. 1 e vol.2. São dois álbuns de covers com a característica pegada do Hellacopters. A versão para Gimme Shelter é incrível.

Alíás, esse era um dos pontos de destaque dos suecos. Uma sonoridade caracterísitca. A música é o rock. Puro. Mas há halguma coisa diferente. Fora a voz, lógico. ouvindo agora não sei dizer o que era. Talvez o efeito da guitarra (acho que é isso), talvez o começo quase sempre com esta mesma guitarra desacompanhada de qualquer outro instrumento (acho que não era isso). Mas o bom é que ao colocar qualquer cd do Hellacopters você terá a certeza que não vai escutar NENHUMA música ruim. Sim, nem todas são boooas, mas a fórmula funcionava.

Em 2003 a banda veio pro Brasil num festival da Kaiser, se eu não me engano. Foi um show no Pacaembu. A ida ao show seria obrigatória se não fossem 4 problemas: Sepultura, Deep Purple, cadeiras no lugar da pista e o próprio Pacaembu. Lembro que na época do show foi organizado um baixo-assinado para que o Hellacopters fizesse algum show sozinho (por piedade a seus fãs), mas nada aconteceu. Por isso, acabei não indo no show. E por isso esta é uma das pouquíssimas bandas que eu gosto bastante, que vieram ao Brasil e eu simplesmente não fui ao show.

Bom, foi bom enquanto durou, um brinde ao Hellacopters! E um brinde a quem lê esse esquecido blog! O cd High Visibility, bonitnho para baixar!

http://rapidshare.com/files/1223915/_2000__High_Visibility.rar.html

 

Sim, antes que você reclame, é verdade. Toda vez que eu escrevo sobre alguma banda (principalmente se ela for brasileira), costumo dizer que é uma das melhores coisas que eu ando ouvindo, uma das melhores bandas da atualidade ou qualquer coisa do tipo.

Na verdade, isso é verdade. Primeiro porque "uma das" é bastante amplo, segundo porque é completamente possível existir muitas coisas (no caso bandas) muito boas porque há muita coisa (no caso o que chamam de bandas, mas eu discordo) muuuuito ruins.

Portanto aqui está mais uma das melhores bandas na minha opinião. E não é (só) por causa de jabá, viu? viu?

O Pública é uma banda gaúcha que está longe de ser tipicamente gaúcha. Não é divertida nem faz aquele clássico roquenrou de garagem. O Pública é sério. Este Cd, Polaris, o primeiro da banda, fez com que a banda conquistasse cada vez um maior....hã....hum......público.....

Na minha opinião, as músicas mais belas são Bicicleta e Long plays. Aliás, ambas possuem belíssimos clipes que merecem uma olhada!

Bom...divirtam-se.....ou não..

http://rs35.rapidshare.com/files/19357863/P_blica.rar

Bom, acho que eu não tenho audiência o suficiente para realizar um concurso cultural, mas se alguém aparecer por aqui falando que gostou muuuuuito e (pelo menos parecer) ser sincero, acho que dá pra arranjar um cdzinho de verdade......

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